Diabetes
Diabetes Mellitus é um grupo de enfermidades metabólicas caracterizadas por hiperglicemia - aumento dos níveis de açúcar no sangue - resultado de defeitos na produção de insulina, na sua acção ou ambos. É pois, um distúrbio que envolve o metabolismo da glicose (hidratos de carbono), na qual coexiste um transtorno global do metabolismo das gorduras e das proteínas. É uma doença que leva a sintomas agudos e a complicações crónicas da saúde. Hoje em dia constitui-se como um problema de saúde pública pelo número de diabéticos e de pessoas em risco de desenvolver esta doença, inclusive em Portugal.
Como se desenvolve a diabetes ?
São várias as causas da Diabetes. Na Diabetes tipo I, a causa básica é uma doença auto-imune que lesa irreversivelmente as células pancreáticas produtoras de insulina (células beta). Assim, nos primeiros meses após o início da doença, são detectados no sangue dos pacientes, diversos anticorpos sendo os mais importantes o anticorpo anti-ilhota pancreática, o anticorpo contra enzimas das células beta e anticorpos anti-insulina. Na Diabetes tipo II, a mais comum, ocorrem diversos mecanismos de resistência à acção da insulina, sendo o principal deles a obesidade, que está presente na maioria dos casos. As pessoas com outro tipo de diabetes, o que ocorre em geral é uma lesão anatómica do pâncreas, decorrente de diversas agressões tóxicas sejam elas por consumo de álcool, drogas, medicamentos ou infecções, entre outras.
Tipos de diabetes
Diabetes do tipo 1
Diabetes tipo 1 é um distúrbio crônico resultante da destruição auto-imune das células alfa pancreáticas produtoras de insulina.
As causas exatas do diabetes tipo 1 continuam incertas. Ele ocorre mais freqüentemente em brancos de ascendência norte-européia. Fatores ambientais, como dieta, estresse e vírus, foram propostos como fatores que desempenhariam um papel modificador e, talvez, até primário no desenvolvimento do diabetes tipo 1. Portanto, estes fatores podem contribuir para sua variada prevalência. O diabetes tipo 1 foi previamente chamado de "diabetes juvenil" e acreditava-se que ocorresse predominantemente em pessoas com menos de 18 anos de idade. Evidências sugerem uma maior incidência entre 9 e 25 anos, porém casos após os 30 anos de idade também podem ocorrer.
A suscetibilidade ao diabetes tipo 1 é herdada e um risco aumentado está associado a ser parente em primeiro grau de uma pessoa com diabetes tipo 1. Porém, 85% de novos casos não revelam tal linhagem familiar. A principal região genética associada à predisposição à doença é uma região que codifica genes para antígenos leucocitários humanos (HLAs) altamente polimórficos. Entretanto, quase 20 outros loci foram propostos como loci que contribuem para 50% a 70% da suscetibilidade genética total.
A incidência de diabetes tipo 1 com base na localização geográfica varia acentuadamente. A doença afeta predominantemente populações com um componente genético branco (caucasianos). Na Finlândia, a taxa de incidência aproxima-se de 40 casos por 100.000 pessoas por ano, enquanto na Coréia e México, a taxa se aproxima de 0,6 por 100.000 por ano. Outras baixas taxas ocorrem na Venezuela, Peru, Paquistão e China. No Brasil, a incidência está em torno de 7 casos por 100.000 pessoas por ano.
Qual o risco familiar de desenvolvimento de DM tipo 1 caso haja um outro caso na família?
O risco familiar de desenvolver diabetes tipo 1 é maior que o da população geral. A prevalência da doença (DM) é de 30% a 50% em gêmeos e 1% em irmãos não-idênticos. O modo de herança não está definido. Nem padrões dominantes quanto recessivos explicam os casos. O risco de desenvolvimento de diabetes é maior em descendentes de um pai com diabetes tipo 1 que em descendentes de uma mãe com o distúrbio. O risco durante toda a vida para parentes em primeiro grau é de 5% a 8%.
Diabetes Melito tipo 2
O Diabetes Mellitus tipo 2 tem-se constituído num grave problema de saúde pública em conseqüência de sua alta prevalência e, infelizmente, da elevada taxa de complicações crônicas associadas. Diversos estudos, como o Diabetes Control and Complications Trial (DCCT) em diabéticos tipo 1, o estudo de Kumamoto e principalmente o United Kingdom Prospective Diabetes Study (UKPDS), demonstraram que as complicações crônicas têm relação direta com o grau de controle da glicemia, O controle glicêmico intensivo e, particularmente para os pacientes com diabetes tipo 2, o controle adequado concomitante da hipertensão arterial e de outros fatores de risco cardiovascular poderão diminuir a enorme taxa de doença macrovascular associada.
A fisiopatologia do Diabetes Mellitus tipo 2 não foi ainda completamente esclarecida, no entanto é aceita a interação de dois fatores essenciais: a insulino-resistência e a insulino-deficiência. A insulino-resistência pode ser definida como a diminuição da ação da insulina endógena em seus tecidos-alvo, particularmente no fígado, músculos e tecido adiposo. Esta insulino-resistência pode ocorrer por causas herdadas ou, principalmente, por causas adquiridas, como obesidade e sedentarismo. Para compensar esta resistência, ocorre hiperinsulinemia, que se torna um evento necessário para a manutenção do estado euglicêmico. Porém, com a evolução da doença, o indivíduo passa a apresentar deficiência de secreção de insulina, não se conseguindo mais a manutenção dos níveis de glicemia pósprandial. É a fase de intolerância à glicose, à qual segue a hiperglicemia de jejum e estabelece-se o diagnóstico de diabetes.
Durante anos, o fundamento para a terapia do Diabetes Mellitus tipo 2 foi o uso de agentes hipoglicemiantes orais, particularmente as sulfoniluréias, que diminuem a glicemia por um estímulo da secreção de insulina em células beta ainda viáveis. Estes fármacos, entretanto, têm sido associados a uma taxa elevada de falência secundária, de 5% a 10% ao ano. A explicação para este fato envolve um declínio da capacidade secretora pancreática. Além disso, a não aderência a planos para redução de peso e aumento da atividade física, a presença de doenças ou o uso concomitante de outras medicações poderão contribuir para esta exaustão mais precoce.
O uso de sensibilizadores de insulina, como a metformina (ex. Glucoformin) e, mais recentemente, as tiazolidinedionas (ex. Avandia e Actos), tem-se tornado uma excelente ferramenta para a correção da insulino-resistência. Porém, com a progressiva deficiência de secreção de insulina, a terapia substitutiva com insulina passa a ser determinante em um grande número de pacientes com diabetes do tipo 2.
O tratamento com insulina em pacientes diabéticos somente ficou disponível, após o uso praticamente experimental, em 1922. Hoje o tratamento com insulina é essencial para pacientes com Diabetes Mellitus tipo 1 e, também, pode ser instituído em muitos pacientes do tipo 2. A introdução da auto-monitorização na rotina clínica, assim como a incorporação de conceitos que relacionam as complicações crônicas com a incapacidade de se atingir um ótimo controle metabólico, têm tornado a terapia com insulina em diabéticos tipo 2 uma necessidade crescente.
Diferenças entre o DM tipo 1 e DM tipo 2
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Característica |
DM tipo 1 |
DM tipo 2 |
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Início |
Rápido |
Lento |
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Secreção de insulina no pâncreas |
Baixa ou ausente |
Normal, alta ou reduzida |
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Presença de corpos cetônicos |
presente |
ausente na maioria |
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Idade de início |
infância, adolescência e mais raramente em adultos |
mais frequente em adultos obesos |
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Tratamento |
insulinas |
medicação oral ou insulinas |
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Familiar acometido |
10% |
30% |
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Presença de anticorpos contra ilhotas e/ou insulina |
Positivo em > 85% - mais frequente no início da doença, decai com o tempo |
ausentes |
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Obesidade |
ausente na maioria |
presente na maioria |
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Complicações microvasculares (retina, renal e neurológica) |
dependem do controle glicêmico |
dependem do controle glicêmico |
Diabetes Gestacional
Diabetes Gestacional é uma patologia que acomete subitamente mulheres não-diabéticas que engravidam. No Diabetes Gestacional, a mulher desenvolve o Diabetes somente durante a gestação porque produz uma quantidade insuficiente de insulina para ela e seu bebê.
Ao término da gestação, a mulher volta ao seu estado normal de produção de insulina. Isto ocorre porque, neste período, a placenta produz substâncias que bloqueiam a ação da insulina, o que pode provocar a elevação de glicose.
Mas não é preciso se alarmar. Essa é uma situação passageira em sua vida e seu bebê vai se desenvolver normalmente se forem seguidas todas as recomendações do seu médico.
Ao término da gestação a mulher volta ao seu estado normal e vai experimentar a emocionante tarefa de ser mãe.
Sintomas do Diabetes
1) Poliúria (urinar em excesso) e polidipsia. (sede em excesso)
2) Perda de peso
3) Letargia, cansaço, desânimo.
4) Infecções de repetição (dermatites, balanopostites, vulvovaginites).
5) Incontinência urinária, nictúria e enurese noturna.
6) Sinais e sintomas de doença aterosclerótica: insuficiência vascular periférica, doença cardiovascular, acidente vascular cerebral.
7) Neuropatia periférica, disfunção erétil.
8) Quadro clínico compatível com complicações crônicas de diabetes
9) Indivíduos assintomáticos:
a. com idade maior ou igual 45 anos. Se normal, repetir em 3 anos.
b. pertencentes a grupos de alto risco (nesses casos, a investigação deve ser feita antes dos 45 anos, e, se necessário, anualmente).
c. obesos
d. com história familiar de DM (membros de primeiro grau)
e. hipertensos
f. DM gestacional, ou pacientes que deram à luz filhos macrossômicos (>4,5 kg).
g. HDL-colesterol < 35 mg/dl ou LDL-colesterol > 130 mg/dl ou triglicérides > 250 mg/dl.
h. intolerância prévia à glicose ou glicemia de jejum alterada (110-126 mg/dl)
i. síndrome dos ovários policísticos
j. uso de medicação hiperglicemiante, doenças predisponentes (síndrome de Cushing, acromegalia, etc).
Tratamento
Na maioria dos casos, o controle dos níveis de glicose no sangue requer a adoção de terapia medicamentosa. Hoje, os pacientes podem controlar os níveis sangüíneos de açúcar com maior precisão e esquivar-se das complicações da doença nos últimos anos de vida.
As melhorias no tratamento incluem:
Novas sulfoniluréias: estimulam o pâncreas a produzir mais insulina. Metformina: melhora a resposta natural do fígado, o qual previne a liberação excessiva de açúcar no sangue. Glibenclamida: estimula o pâncreas a produzir mais insulina. Inibidores de alfa-glicosidase: reduz a velocidade de quebra do amido e, portanto, a liberação de açúcar pelos intestinos para a corrente sangüínea. Tiazolidinadionas: permitem o uso eficiente da insulina e reduzem o risco cardíaco associado ao diabetes.Nota: O tratamento é sempre individualizado, pois somente o seu médico poderá avaliar qual será o caminho mais adequado para você.
O que pode ocorrer quando o paciente diabético não respeita o tratamento?
Quando o paciente com diabetes não se trata adequadamente, a evolução da doença pode causar complicações dos vasos sangüíneos, como o infarto cardíaco, aumento da pressão arterial, derrame cerebral, insuficiência renal e, até mesmo, redução ou perda da visão.
Diabetes: Você cuida e vive melhor!
Segundo um antigo ditado, "é melhor prevenir do que remediar". No caso do diabetes, "o controle é vida". Se as dicas abaixo forem seguidas, você estará colaborando não somente para a prevenção do diabetes, mas também de diversas doenças que podem afetar sua saúde.
- Restrição do açúcar: É importante rever a quantidade e a qualidade da alimentação. O primordial, na prevenção do diabetes, é restringir ou, pelo menos, moderar o consumo de açúcar e quaisquer de suas preparações. Além disso, a adoção de dietas hipocalóricas (com baixo teor de calorias) ajuda a reduzir o peso ou mantê-lo ideal, fator este importante para a prevenção da obesidade.
- Atividade física: Os exercícios físicos melhoram a circulação e aumentam a queima de açúcar no sangue. Um dos melhores exercícios é a caminhada. Trinta minutos por dia são o suficiente e garantem diversos benefícios. Um exemplo de exercício é a natação.
- Programas educativos: A orientação quanto à necessidade do controle e dicas preventivas é a chave do sucesso no combate ao diabetes. Como parte de um programa educativo, podemos citar o antitabagismo, a realização de exames oculares (a cegueira é uma das conseqüências do diabetes), moderação ao consumir bebidas alcoólicas, a prática de atividades de lazer, evitando o sedentarismo, etc.
Exercício físico
A maioria das pessoas leva hoje em dia uma vida bem agitada. É o trânsito carregado, trabalho redobrado, pouco tempo para comer. Fazer algum tipo de exercício, então, nem pensar. Essa situação constitui ambiente ideal para piorar ou desencadear o diabetes e causar enfermidades no coração e nas artérias.
Então, pense em mudar seus hábitos e em desenvolver uma nova rotina bem devagar. No início, vale qualquer coisa: andar de bicicleta, caminhar, nadar, até dançar. O mais importante é escolher alguma atividade de que se goste. E não esqueça: tudo bem devagar.
A glicose no sangue e o exercício
Quando você toma insulina ou medicamentos para baixar a taxa de glicose no sangue pode haver uma diminuição do nível por causa dos exercícios. Por isso, é importante tomar alguns cuidados como, por exemplo, sempre ter à mão alimentos com açúcar de ação rápida, quando for fazer exercícios. Balas de açúcar, bolachas, doces em geral inibem rapidamente os sintomas de hipoglicemia.
Diabetes X Sexo
A disfunção erétil é uma complicação crônica do diabetes descompensado (glicemia elevada) por vários anos. É proporcional ao tempo e níveis da hiperglicemia. Constitui lesão neurológica irreversível (neuropatia autonômica). O melhor tratamento é prevenir a hiperglicemia.
fonte: www.monitordodiabetes.com.br, www.pesologica.com
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